Oi, eu sou a Lu.

Certa vez, Annie Dillard em uma entrevista disse que escreve para saber o que pensa. Até ano passado costumava usar esse mesmo argumento; sempre citando a fonte, é claro. Mas de um tempo pra cá descobri outros motivos e um que ultrapassa todos eles: o outro lado.

Sim, “o outro lado” é o meu maior motivo. Sempre foi. Tanto para a escrita quanto para a leitura. E também para toda e qualquer outra forma de arte que me disponho a observar e a ser consumida por ela.

É justamente aquele ponto de observação inalcançável e inacessível que é o meu anseio, o meu trajeto; o meu mapa.

É por isso — e só por isso — que escrevo.

Certa vez, quando no topo de uma pequena cidade, disse a um amigo:

— Incrível, não é?

— Inacreditável. É inacreditável.

— Não vês?! É lindo!

— A pobreza é linda para você, Lu?!? Pequenas casas de madeira e papelão são bonitas para você?! — respondeu o moço, em espanto.

— Estava a falar do sombreado das nuvens sobre elas…

Aquela conversa mostrou-me como dois olhares sobre o mesmo lugar podem trazer realidades distintas e, desde então, disponho-me a escrever sobre o que vejo e sobre o que os outros veem. Tudo, absolutamente tudo, me interessa. Todas as vozes me são audíveis. Todos os sotaques, trejeitos e manias são os meus instrumentos para alcançar o “outro lado”.

Talvez, com muito empenho, eu consiga apresentar para você os mil mundos que me cercam; ou, quem sabe, talvez um deles seja o seu e possamos nos encontrar lá.

Beijos,

Lu.